Quando se fala em processamento de tilápia, o filé costuma concentrar boa parte da atenção da indústria. No entanto, ele representa apenas uma parcela do pescado processado. Cabeça, espinhaço, pele, escamas, vísceras e aparas também fazem parte da matéria-prima que entra na planta e podem ter diferentes destinos.
Por isso, avaliar o rendimento de uma operação não significa olhar somente para quanto filé é obtido ao final do processo. Também envolve entender o que acontece com as demais partes do peixe e quais delas podem seguir para outras aplicações.
Esse olhar ganha importância principalmente quando a indústria busca ampliar o aproveitamento da matéria-prima e encontrar novas possibilidades para aquilo que antes teria uma destinação de menor valor.
O aproveitamento começa na forma como o pescado é processado
As possibilidades de uso das diferentes partes da tilápia começam ainda dentro da linha de processamento.
Durante etapas como descabeçamento, evisceração, filetagem e retirada da pele, diferentes frações do pescado são separadas. A forma como isso acontece interfere diretamente nas condições em que esses materiais seguem para os próximos processos.
Uma carcaça que ainda possui carne aderida, por exemplo, pode passar por uma etapa de separação mecânica para obtenção de carne mecanicamente separada, a CMS. Já pele, espinhas e outros componentes podem ter destinos específicos, desde que sejam separados e armazenados de maneira compatível com a aplicação pretendida.
Por isso, quanto mais organizado for esse fluxo, maior é a capacidade da indústria de conhecer o destino de cada parte da matéria-prima.
O que pode ser aproveitado além do filé?
As possibilidades variam conforme a estrutura da processadora, a escala da operação e o mercado disponível para cada material.
A carne que permanece aderida às espinhas e carcaças após a filetagem é um dos exemplos mais próximos da própria produção de alimentos. A CMS pode ser utilizada como matéria-prima para produtos como empanados, hambúrgueres, massas e outras preparações.
Na Brusinox, a Despolpadeira de Pescado realiza justamente a separação mecânica dessa carne. De acordo com os dados técnicos do equipamento, a recuperação pode superar 40% do peso da carcaça em forma de polpa, dependendo das características da matéria-prima e do processo.
Além disso, pesquisas e aplicações industriais vêm estudando diferentes usos para outras partes do pescado. A pele da tilápia, por exemplo, pode ser direcionada para produtos como couro ou para processos de obtenção de colágeno. Espinhas, aparas e outras frações também podem seguir para produção de farinha, óleo ou outros coprodutos.
Isso não significa que todas essas aplicações façam sentido para qualquer processadora. Cada possibilidade depende de volume, qualidade da matéria-prima, estrutura disponível, requisitos sanitários e existência de mercado para o produto obtido.
Separar bem também é preservar possibilidades de uso
Antes de pensar em uma nova aplicação, é preciso considerar como o material chega até ela.
Quando diferentes partes do pescado são misturadas durante o processamento, algumas possibilidades de destinação podem se tornar mais limitadas. Por outro lado, quando o fluxo permite separar as frações de maneira organizada, a indústria passa a ter maior controle sobre o que está sendo gerado.
Esse cuidado também envolve armazenamento, temperatura e tempo entre a separação e a próxima etapa.
Por isso, o projeto da linha precisa considerar não apenas o produto principal, mas também o percurso das demais partes do pescado. A disposição dos equipamentos, os pontos de saída e a forma como cada material é conduzido interferem na organização do processo.
Na prática, o aproveitamento começa antes da transformação de um subproduto. Ele começa quando a indústria consegue identificar, separar e direcionar adequadamente aquilo que é gerado durante a produção.
Nem todo aproveitamento precisa acontecer dentro da própria planta
Outro ponto importante é que ampliar o aproveitamento da matéria-prima não significa, necessariamente, incorporar todos os processos à estrutura da empresa.
Dependendo da operação, pode fazer mais sentido estabelecer parcerias com empresas que já trabalham com determinados coprodutos. Uma processadora pode, por exemplo, organizar a separação e conservação de uma determinada fração para encaminhá-la a outro elo da cadeia.
Em outros casos, volume e demanda podem justificar a instalação de uma etapa adicional dentro da própria planta.
A decisão precisa considerar custos, escala, logística, requisitos de conservação e mercado. Por isso, antes de investir em uma nova aplicação, é importante entender quais materiais são gerados, em qual quantidade e em quais condições eles deixam a linha de processamento.
Rendimento também é olhar para o pescado até o fim
Melhorar o aproveitamento não significa buscar uma única solução capaz de utilizar todas as partes da tilápia. O primeiro passo é conhecer melhor o próprio processo.
Quanto da matéria-prima vira filé? Quanto permanece aderido à carcaça? Quais partes são separadas? Como elas são armazenadas? Existe demanda para algum desses materiais?
Essas perguntas ajudam a identificar oportunidades que podem estar depois da filetagem.
Ao considerar o pescado como uma matéria-prima que pode seguir por diferentes caminhos, a indústria amplia sua leitura sobre rendimento e passa a avaliar o processo para além do produto principal.
É justamente nesse ponto que equipamentos e linhas bem dimensionados ganham importância: eles ajudam a organizar as etapas, reduzir perdas desnecessárias e criar condições para que diferentes partes do pescado possam receber a destinação mais adequada para cada operação.
Compartilhe em








