A produção brasileira de pescado vem crescendo, impulsionada principalmente pela piscicultura e pelo avanço da tilápia. Ao mesmo tempo, o consumo de pescado no Brasil ainda está abaixo da média mundial.
Segundo dados reunidos no estudo-base, o consumo global supera 20 quilos por habitante ao ano, enquanto, no Brasil, estimativas baseadas em levantamentos do IBGE indicam um consumo próximo da metade desse volume.
Essa diferença mostra que o crescimento da cadeia não depende apenas de produzir mais. Também existe espaço para ampliar as formas como o pescado chega ao mercado e se encaixa na rotina de consumo.
Para a indústria, isso passa por uma questão importante: que tipo de produto está sendo entregue a partir da matéria-prima disponível?
O consumo também é influenciado pela forma como o pescado chega ao mercado
O consumo de pescado envolve diferentes fatores, como preço, disponibilidade regional, hábitos alimentares e facilidade de preparo.
Em algumas regiões, o acesso ao peixe fresco é mais frequente. Em outras, a distância dos polos produtores e as próprias características de conservação fazem com que produtos congelados tenham um papel maior na distribuição.
Além disso, a maneira como o pescado é apresentado pode ampliar suas possibilidades de uso. Filés, porções, produtos sem espinha e opções congeladas reduzem etapas de preparação e permitem que a mesma matéria-prima atenda diferentes ocasiões de consumo.
Isso significa que existe uma etapa importante entre aumentar a produção e aumentar a presença do pescado no mercado: o processamento.
Diferentes produtos exigem diferentes processos
Uma tilápia pode chegar ao consumidor de diversas formas. Pode ser comercializada inteira, em filés, porções congeladas ou ainda ser utilizada como matéria-prima para produtos processados.
Cada escolha interfere nas etapas necessárias dentro da indústria.
Classificação por peso, descabeçamento, evisceração, filetagem, retirada de pele, acabamento e congelamento precisam ser organizados de acordo com o produto que a empresa pretende entregar.
Por isso, pensar no mercado também significa pensar na configuração da linha.
Uma operação voltada principalmente para peixe inteiro possui necessidades diferentes de uma planta que trabalha com filés padronizados ou produtos congelados individualmente. Da mesma forma, uma indústria que atende diferentes clientes pode precisar de maior flexibilidade para trabalhar com volumes, pesos e apresentações distintas.
Na Brusinox, as soluções para processamento de pescado são desenvolvidas considerando essas características, desde equipamentos individuais até linhas integradas que podem acompanhar diferentes etapas da produção.
O congelamento amplia possibilidades de distribuição e consumo
Para determinados produtos, o congelamento também exerce um papel importante na ampliação do mercado.

Ao aumentar o período de conservação e permitir que o pescado percorra distâncias maiores, ele reduz a dependência de uma distribuição baseada exclusivamente no produto fresco.
O congelamento individual, como acontece em processos IQF, também permite que filés ou porções permaneçam separados, facilitando o uso apenas da quantidade necessária.
Para a indústria, entretanto, essa decisão precisa começar antes do túnel. Tipo de produto, volume, temperatura de entrada, tempo de processo e ritmo das etapas anteriores interferem no dimensionamento do sistema de congelamento.
Por isso, não basta adicionar essa etapa ao final de uma linha. Ela precisa acompanhar o fluxo da produção.
O THB – Túnel Helicoidal Brusinox, por exemplo, é desenvolvido considerando capacidade, produto, espaço disponível e integração com o restante do processo, justamente para que o congelamento faça parte da operação de forma contínua.
Mercado interno e desenvolvimento de produtos caminham juntos
O espaço existente entre o consumo brasileiro e a média mundial não significa que o país chegará automaticamente aos mesmos níveis de outros mercados.
Há diferenças culturais, econômicas e regionais que precisam ser consideradas.
Ainda assim, os dados mostram que existe espaço para a indústria acompanhar mudanças no comportamento de consumo e ampliar a variedade de produtos disponíveis.
Nesse cenário, compreender o mercado pode ajudar a orientar decisões dentro da própria planta.
Quais apresentações têm maior demanda? Quais pesos e porções são mais procurados? A operação consegue atender diferentes produtos? O congelamento acompanha essa necessidade? Há possibilidade de ampliar o aproveitamento da matéria-prima para desenvolver outras aplicações?
Essas questões aproximam produção e mercado.
Produzir mais é uma parte da oportunidade
O crescimento da piscicultura brasileira amplia a disponibilidade de matéria-prima, mas o desenvolvimento da cadeia também depende da capacidade de transformar esse pescado em produtos que possam chegar a diferentes consumidores e canais.
Para a indústria, isso envolve compreender não apenas quanto consegue processar, mas também o que consegue produzir a partir desse volume.
Linhas organizadas, capacidade compatível com a demanda, padronização e diferentes possibilidades de processamento ajudam a ampliar os caminhos comerciais do pescado.
Assim, o espaço para crescimento do consumo interno também pode ser observado como uma oportunidade para que a indústria desenvolva novos produtos, alcance diferentes mercados e utilize melhor a produção que já está avançando no país.
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